O boneco de sal

“Era uma vez um boneco de sal. Após peregrinar por terras áridas chegou a descobrir o mar que nunca vira antes e por isso não conseguia compreendê-lo. Perguntou o boneco de sal:” Quem és tu? E o mar respondeu: “eu sou o mar”. Tornou o boneco de sal: “Mas que é o mar?” E o mar respondeu:” Sou eu”. “Não entendo”, disse o boneco de sal. “Mas gostaria muito de compreender-te; como faço”? O mar simplesmente respondeu: “toca-me”. Então o boneco de sal, timidamente, tocou o mar com a ponta dos dedos do pé. Percebeu que aquilo começou a ser compreensível. Mas logo se deu conta de que haviam desaparecido as pontas dos pés. “Ó mar, veja o que fizeste comigo”? E o mar respondeu: “Tu deste alguma coisa de ti e eu te dei compreensão; tens que te dares todo para me compreender todo”. E o boneco de sal começou a entrar lentamente mar adentro, devagar e solene, como quem vai fazer a coisa mais importante de sua vida. E na medida que ia entrando, ia também se diluindo e compreendendo cada vez mais o mar. E o boneco continuava perguntando: “que é o mar”. Até que uma onda o cobriu totalmente. Pode ainda dizer, no último momento, antes de diluir-se no mar: “Sou eu”.

Somos também um boneco de sal que se gasta pela vida, a grande questão é o propósito de cada um, e o motivo pelo qual nos gastamos. Tem gente que se consome na tristeza, tem outras que se esvaem em preocupações exageradas, outras nem sabem por que vivem, algumas sonham mais que realizam, e tantas outras se acostumam a viver com o que dá, com o que dão e com o que tiram…

Porque você se gasta? O que tem consumido seus dias?

Ainda dá tempo! Não se acostume a não ser e a não ter. Não se acostume a viver como se uns tivessem mais direitos que outros a serem felizes. Levanta! Só você pode sair de onde está. Pode ser que alguém tenha te feito acreditar em coisas terríveis a seu próprio respeito, mas, o que verdadeiramente importa é quem você de fato é.

Se ainda sabe, trilhe esse caminho e veja a maravilha e a novidade de ser você, pois só depois deste encontro consigo será possível se relacionar com o outro de uma forma saudável, compreendendo o que pode oferecer de bom e o que o precisa cuidar para não ultrapassar os limites e não se permitir ser invadido pelo que não agrega e te faz infeliz.

Saber quem somos, implica em conhecer e respeitar nossas fronteiras e com isso nos sentir prontos para saber quem entra e quem sai de nossas vidas, assim como o que acolhemos ou não no nosso coração. É importante e riquíssimo ouvir o outro, mas, essa escuta deve estar permeada de respeito e entendimento sobre nós mesmos e nossas possibilidades.

Aline Costa

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