Por uma vida com “fade out”

Você lembra quando as músicas dos discos iam esmaecendo, perdendo o volume lentamente em vez de ter um final propriamente dito? Então, isso se chama “fade out”.

Eu estava no carro ouvindo minhas músicas antigas e me deliciando quando algumas iam terminando sem terminar, tipo esse vídeo que postei pra você entender o efeito… Para mim, é como se a música se tornasse eterna, mesmo que sem a melodia e a interpretação do cantor.

Como sempre, levei isso para o campo das relações e pensei o quanto na nossa vida tudo tem sempre que estar bem claro e bem acabado como as músicas atuais, e que o contrário disso é ficarmos perdidos e sem referência do que pensar e de como agir. Alguns artistas não gostam do “fade out”, pois julgam falta de criatividade… Eu não!

Algumas amizades vão esmaecendo como a música com este efeito e não é porque se deixou de amar, mas porque a vida mudou e a dinâmica não comporta mais as mesmas formas de antes. Por exemplo, casei e tenho dois filhos; devido a isso meus amigos solteiros ou sem filhos não tem o mesmo espaço na minha vida e nem eu o mesmo espaço na deles, mas não se trata de descaso ou falta de amor e também não significa que a amizade acabou, mas, como a música, seu volume foi diminuindo, mas não teve fim.

Muitas relações amorosas também vão perdendo a força e por que as pessoas não reconhecem a beleza do “fade out” preferem cortes decisivos e que ferem, pois se precisa sempre de muita justificativa e de sins ou nãos o tempo todo. Às vezes, não tem sim ou não e nem motivos aparentes e marcantes, apenas a relação enfraqueceu e foi diminuindo de volume. Em certos casos a paixão vira amizade e não precisa de cisão, mas de sinceridade pra assumir sua ressignificação.

Parece viagem, né? Mas, hoje o “fade out” me ajudou a entender melhor sobre as relações da minha vida que não acabaram ou me abandonaram, mas, só perderam a força dos instrumentos de tempo, prioridade, logística, compatibilidades, etc, etc, etc.

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